Panamá busca ter a sua própria linha de cruzeiros

O administrador Geral da Autoridade de Turismo de Panamá (ATP), Salomón Shamah assegurou que Panamá tem planos concretos para criar sua própria linha de cruzeiros e assim evitar que esta indústria milionária dependa das decisões de empresas internacionais, que têm a sua sede nos Estados Unidos.

Shamah disse a Agência de Notícias de Panamá, que a indústria de cruzeiros é muito importante para o Panamá, já que conta com facilidades nos dois oceanos, mas o mais importante é o fato de que o país está localizado em um lugar privilegiado, no centro da América e conta com um hub aéreo, que oferece a oportunidade de fazer negócio de home port.

Entretanto, o desafio que tem o país centro americano é que ainda não é reconhecido como um destino caribenho, pelo que se trabalha em posicionar esta marca, criando uma linha de cruzeiros própria, com a participação de empresas panamenhas e companhias da região.

Este é um verdadeiro desafio para o Panamá e embora basicamente o projeto se encontre em um estágio de gestação, o reitor do turismo no Panamá acredita que, no futuro, haverá mais empresas ousadas, que acreditam no seu potencial para percorrer as suas próprias rotas.

Shamah assinalou que tem advertido operadores locais, como o porto de cruzeiros de Colón 2000 e outros operadores internacionais próximos para que com a ajuda do governo de Panamá projetem um produto de três ou quatro dias para gerar uma atividade de cruzeiros constante, que não seja vinculada a uma temporada.

O projeto poderia iniciar com uma rota, que sairia da província de Colón, localizada no Caribe panamenho, cobrindo além das ilhas de San Blas e San Andrés na Colômbia, a idéia é criar uma rota própria e trazer turistas da Argentina, Peru, Colômbia e outros países da América do Sul.

O governo de Panamá poderia apoiar de muitas formas estas empresas, outorgando incentivos, e inclusive, lhes ajudariam a conseguir as garantias necessárias para conseguir que adquiram um leasing, ou comprem um cruzeiro, de cerca de 500 quartos para cobrir esta rota.

“Se os investidores privados dessem o primeiro passo, eu iria para o mais alto nível, dentro do governo para ajudá-los, para que eles gerassem seu próprio produto e nós assumiríamos parte do risco. Esta seria a única forma de conseguir este objetivo, já que um cruzeiro de 500 quartos custa dezena de milhões de dólares”, precisou o administrador Geral da ATP.

Adicionou que se houver paciência, os recursos e a política de estado para implementar este projeto a longo prazo, esta seguro de que em três ou quatro anos Panamá poderá ter uma linha de cruzeiros cobrindo até três rotas e fazendo home port no Atlântico e no Pacífico.

“Neste momento, eu como parte de um governo me atreveria a levar isto ao conselho de gabinete, já que teríamos o controle de poder armar um produto na medida e necessidade dos panamenhos, além disso, seria uma tremenda injeção para a economia, devido aos gastos, que fazem os turistas de cruzeiros em noites de hotel e compras”, disse Shamah.

Para maio deste ano, Panamá havia recebido 203.858 turistas de cruzeiros, uma aumento de 1,2% com relação ao mesmo período do ano passado, quando haviam chegado a 201.349 visitantes. Neste mesmo período, o turismo gerou ao Panamá rendas de mais de US$ 1.023 milhões.

Shamah salientou que a indústria de cruzeiros é volátil, e embora os portos não possam ser movidos, um belo dia um presidente de uma linha lhe faz uma oferta em outro lugar simplesmente, moverá os seus navios e os levará para outro destino, por isso, Panamá deve ter seus próprios navios perto.

Fonte: www.anpanama.com